
Era junho de 2013 e eu* trabalhava na assessoria de comunicação da Câmara de Maringá há três meses. Ainda estava me adaptando à rotina da Casa e descobrindo a cidade.
Naquela época, as sessões ordinárias aconteciam pela manhã, às terças-feiras e, à noite, nas quintas. Isto porque o período noturno era conveniente à participação da comunidade em ocasiões de homenagens públicas.
Enquanto isso, o Brasil acompanhava com apreensão às manifestações populares, iniciadas por estudantes paulistas contra o aumento nas passagens de ônibus, que, rapidamente, ganharam o apoio de outros grupos que incluíram também sua indignação com o nível educacional das escolas públicas, a taxa de desemprego, falta de moradias entre outras demandas sociais. Maringá não ficou de fora.
As caminhadas que, normalmente, percorriam as principais avenidas da cidade chegaram ao plenário da Câmara em sessões com projetos considerados polêmicos pelos organizadores. Nesse ano, o presidente do Legislativo obteve apoio dos vereadores para realizar as sessões ordinárias noturnas nos bairros e assim despertar o interesse da comunidade no debate político.
Numa dessas sessões itinerantes, ouvimos o rumor da possibilidade dos estudantes invadirem o salão paroquial da Vila Santo Antônio onde acontecia a sessão. Apesar disso, a agenda se manteve e todos se dirigiram para lá.
Além de frio, caía uma garoa fina na cidade. Chegamos a pensar que o boato não se concretizaria. Mas, mal chegamos à metade da sessão e as falas dos vereadores foram interrompidas pelos gritos dos manifestantes que entraram como uma “onda” no salão e, rapidamente, ocuparam os espaços deixados pelos moradores que acompanhavam a reunião.
Nós, servidores da Casa, fomos, literalmente, empurrados e para registrar o máximo possível eu, a exemplo de outros, subi em cima da cadeira de plástico e comecei a fotografar o episódio. De vez em quando, ainda me deparo com essas imagens guardadas no meu aparelho celular.
Nunca vou esquecer da tensão que vivemos porque não havia apoio policial e os manifestantes se irritavam com as interpelações dos vereadores. Meu medo era que alguém fosse atingido com uma ripa de madeira das faixas carregadas pelos jovens. Felizmente, os ânimos se acalmaram com o passar do tempo e o comprometimento dos vereadores em atender as reivindicações do grupo.
Tudo não passou de um susto. E, inesperadamente, fui testemunha de um episódio recente da história de Maringá.
* Betânia Rodrigues, jornalista da Diretoria de Comunicação Social, da Câmara de Maringá