A Câmara de Vereadores de Maringá recebeu na sessão ordinária desta terça-feira (11) a coordenadora do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM, Rosemary Parizotto, para falar sobre as altas habilidades.
O convite para a participação da coordenadora na sessão foi feito pelo vereador Sidnei Telles, que destacou a invisibilidade do tema como um dos principais problemas relacionados às altas habilidades.
“Temos um problema gravíssimo no Brasil da invisibilidade das altas habilidades. Para vocês terem uma ideia, o Brasil tem em torno de 4,5 milhões de crianças e jovens com altas habilidades. Não tenho dados atualizados, mas cerca de 40 mil crianças somente foram avaliadas e identificadas como crianças com altas habilidades. Isso é um problema imenso de subutilização da capacidade dos nossos jovens, além da necessidade de estrutura e de formação de professores e professoras que sejam capazes de lidar com essa realidade.”
A coordenadora Rosemary Parizotto lembrou que atua na educação especial há 37 anos e que muitas pessoas ainda desconhecem o que são as altas habilidades. Durante a sessão, ela convidou dois alunos para relatarem suas experiências.
O aluno do 3º ano do ensino médio, Fernando, identificado como estudante com altas habilidades na área acadêmica de Linguagens, afirmou que as altas habilidades representam uma oportunidade para que os estudantes desenvolvam seus potenciais desde cedo.
“Na minha visão, as altas habilidades são uma porta magnífica para aqueles que desejam fazer algo grande desde já. Obviamente, todos os alunos, todas as crianças têm o desejo de colocar algo grandioso no mundo. Todos nós queremos contribuir para a sociedade de alguma maneira. Mas, da minha experiência, do meu ver, as altas habilidades são o lugar para aqueles que não querem esperar: eles já querem começar agora.”
Fernando também destacou a importância dos projetos, feiras, olimpíadas e oficinas oferecidos aos estudantes.
“Entrando nas altas habilidades, eu tinha interesse puramente em escrita, leitura, coisas dessas áreas, que é o que eu me identifico, é o que eu vejo como meu. Mas a convivência com outros alunos que gostam de áreas tão distantes da minha acabou gerando interesse e foi me tirando da minha própria bolha, fazendo com que eu me desenvolvesse em outras áreas.”
Também estudante do 3º ano do ensino médio, Maria Eduarda Xavier Cruz destacou que participar da Sala de Recursos de Altas Habilidades foi uma mudança significativa em sua vida.
“Antes da pandemia, eu era bastante tímida. E entrar na Sala de Recursos, que geralmente ocorre no período do contraturno, com os professores e os demais alunos, me possibilitou uma maior socialização, tanto na parte das conversas quanto nas trocas de informações com os professores.”
Maria Eduarda ressaltou ainda a convivência com estudantes que apresentam diferentes áreas de interesse e habilidades.
“Existem vários tipos de altas habilidades. Eu também sou da parte acadêmica, porém nós temos alunos que são da área da música, da área do esporte, e estar conversando com eles, entendendo um pouquinho do dia a dia e da especialização deles é muito importante nessa socialização.”
Segundo a estudante, os projetos desenvolvidos na Sala de Recursos também contribuem para sua formação.
“Quando nós entramos nas altas habilidades, no início do ano, nós decidimos um tema do nosso interesse e desenvolvemos esse projeto no decorrer do ano. Em cada ano, eu desenvolvi um tema diferente, tanto na área das ciências biológicas, na área da tecnologia, nas ciências sociais, e isso foi enriquecendo cada vez mais a minha formação e a minha parte da pesquisa.”
“Hoje, eu sou muito grata às Altas, tanto pela parte da socialização, como eu já disse, mas também pela parte do próprio fundamento teórico, da parte da apresentação e de tudo que a gente pode ter acesso nessa Sala de Recursos”, complementou.
A estudante também destacou a importância do atendimento realizado no contraturno. “Graças à Rose, hoje a gente tem um acesso maior, de poder trabalhar e apresentar a vocês a importância das altas habilidades: sair do período curricular, no horário da manhã, e poder adentrar nessa Sala de Recursos no período do contraturno, com esses acessos e essas informações. É um espaço onde nós podemos expressar nossos interesses, bem como conhecer os demais presentes conosco.”
Altas habilidades
As altas habilidades/superdotação envolvem potencial elevado em áreas como intelectual, criatividade, liderança, artes ou psicomotricidade. Elas podem se manifestar em uma única área ou em diferentes campos do conhecimento e demandam atendimento educacional adequado para que os estudantes possam desenvolver plenamente suas potencialidades.
Entre os sinais que podem estar presentes estão aprendizagem rápida, vocabulário avançado, curiosidade intensa, excelente memória, sensibilidade, intensidade emocional, hiperfoco e preferência pela companhia de crianças mais velhas ou adultos.
A identificação e o atendimento especializado são importantes para que esses estudantes tenham suas necessidades educacionais reconhecidas e possam encontrar, no ambiente escolar, oportunidades compatíveis com seus interesses e potencialidades.
Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM
e-mail: mgauemaplicacao@escola.pr.gov.br
Telefone: (44) 3011-4245
E você, o que acha da iniciativa?
Envie suas sugestões e opiniões aos vereadores. Acompanhe os debates, participe e dê sua contribuição.
Acesse as redes sociais da Câmara de Vereadores de Maringá no Instagram (@camara.maringa) e no Facebook (camaramunicipal.demaringa) e deixe seu comentário sobre o tema.
Câmara de Vereadores com você!